1953 - “O petróleo é nosso”

A criação da Petrobras está diretamente relacionada ao movimento popular do início da década de 50 chamado “O petróleo é nosso”. O slogan ganhou as ruas e rompeu com o discurso vigente até então, de que apenas grandes consórcios internacionais seriam capazes de montar uma indústria petrolífera no Brasil.

Com a adesão popular, a força da campanha tem como resposta a Lei 2004. Aprovada no Congresso Nacional e assinada pelo então presidente Getúlio Vargas, no dia 3 de outubro de 1953, a lei dá origem a Petróleo Brasileiro S/A. – Petrobras. A partir desta data, a nova companhia assume o monopólio da pesquisa, exploração e refino do petróleo no país, além de comercialização de derivados.

O movimento “O petróleo é nosso”, responsável pelo surgimento da Petrobras, é uma das páginas importantes da história do Brasil. Não apenas pelo debate de uma nova política energética para o país, mas pela própria mobilização que gerou, com a adesão de segmentos distintos da sociedade.

Monteiro Lobato, por exemplo, foi um dos ícones deste movimento. Ainda no fim da década de 30, o escritor já havia levado a atmosfera política da campanha “O petróleo é nosso” ao universo infantil, muito antes do movimento tornar-se uma bandeira nacional. Em O Poço do Visconde - Geologia para Crianças –, publicado em 1938, o autor, contrariando o discurso oficial das autoridades de que não havia petróleo no Brasil, fez jorrar o óleo negro no Sítio do Pica-Pau Amarelo. Na obra ficcional de Lobato nasce a primeira empresa de petróleo brasileira: a companhia Donabentense de Petróleo.

Outra manifestação significativa ocorre em Mataripe, na Bahia, onde se registra a famosa cena de Getúlio mostrando a mão direita coberta de petróleo em 1952, um ano antes da criação do monopólio sobre o petróleo e da própria Petrobras.

Atualmente: a Petrobras é líder mundial na extração de petróleo em águas profundas. O número de plataformas em alto-mar operadas pela companhia é maior do que a soma das segunda e terceira colocadas neste ranking. A produção atual supera 2 milhões barris de óleo equivalente por dia (petróleo e gás natural). Com a descoberta dos reservatórios do pré-sal, cuja produção chegou em junho à média diária de 310 mil barris de petróleo por dia, a empresa ganha fôlego para dobrar de tamanho até 2020, quando chegará aos 5,7 milhões de barris de óleo equivalente produzidos por dia.

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